PAULO FREIRE O MAIOR EDUCADOR BRASILEIRO (1921-1997)
Por Zaquie Jamal
Para Paulo Freire, o maior educador brasileiro, nascido no Recife, Pernambuco: O mundo não é. O mundo está sendo!!
Assim viveu Paulo Freire!
Viveu o seu presente, a sua jornada diária conhecendo e compreendendo a si, ao outro e ao mundo, construindo os sus saberes.Paulo Freire nos deixou um rico legado teórico e metodológico sobre a educação brasileira, cujas idéias e paradigmas permitem até hoje, uma constante reflexão de educadores e de professores engajados na formação escolar de crianças, jovens e adultos.
Foi pelo método de alfabetização de adultos, criado em 1960, que Paulo Freire conseguiu notoriedade internacional. Trabalhou no Chile, em 1964, como exilado, após a tomada do poder pelos militares. É no exílio que ele, em 1968, escreve uma de suas mais importantes obras - A Pedagogia do oprimido, publicada em 1970.
Sua notoriedade como educador leva-o, em 1969 e 1970, respectivamente, a lecionar na Universidade de Harvard (EUA) e na Universidade de Genebra (Suíça), quando passa, neste país a trabalhar no Conselho Mundial das Igrejas, assumindo as ações educacionais na África.
Após a sua volta do exílio, em 1979, torna-se professor da Pontifícia Universidade de São Paulo, a qual mantém a Cátedra Paulo Freire responsável pela difusão de suas idéias. Um ano após, em 1980, vai dar aulas na Universidade de Campinas, ficando por dez anos, quando escreve e publica sua obra Conscientização: teoria e prática da libertação.
Sempre voltado para a alfabetização de jovens e adultos, Paulo Freire, em 1982, publica A importância do Ato de ler, expressando o seu pensamento político em relação à dignidade humana, tarefa que se cumpriu diante de uma população oprimida.
Em 1986, morre a sua esposa Dona Elza Freire, com quem teve cinco filhos, professora primária que despertou em Paulo Freire a paixão pela alfabetização. Neste mesmo ano, juntamente com Frei Beto, escreve o livro Essa escola chamada Vida, sobre a educação popular quando ambos relatam suas experiências, suas caminhadas e lembranças na construção de um ideal de vida e a superação de obstáculos.
No comando da Secretaria da Educação do Município de São Paulo, na gestão da Prefeita Luiza Erundina, 1989, procura aplicar a pedagogia progressista libertadora, como práxis, retratando a concepção dialógica entre os sujeitos envolvidos no processo da ação educativa escolar. E é, fundamentado por esta práxis que Paulo Freire constata a possibilidade da construção da ética, permitindo a cada cidadão questionar, concretamente, a realidade das interações entre as pessoas e destas com o mundo.
Atento à boa formação de professores que atuam de 1ª. À 4ª. Série do ensino fundamental, Paulo Freire, em 1993, publica Professora Sim, Tia Não: cartas a quem ousa ensinar. É um livro poético porque leva o professor a uma reflexão crítica de sua atuação sócio-política.
Dentre as várias obras deixadas por Paulo Freire, além das já citadas, destacam-se: Pedagogia da Esperança (1992); Pedagogia da Autonomia (1997) e Pedagogia da Indignação (2000 obra póstuma). Muitos educadores escreveram e escrevem sobre Paulo Feire, como Moacir Gadotte que assina a autoria de: Convite à leitura de Paulo Feire e que em 1996 organizou o livro Paulo Freire: uma bibliografia. A pedagoga Ana Maria Araújo Freire é a sucessora legal da obra de Paulo Freire, com quem se casou em 1988 e organizou vários livros como: Pedagogia da Indignação, Pedagogia dos sonhos possíveis, Pedagogia da Tolerância, dentre outros. No dia dois de maio de 1997, morre em São Paulo -O Educador Paulo Freire.
O repertório teórico de Paulo Freire mostra a sua trajetória de lutas por uma educação de vanguarda e justa para o povo oprimido; teoria esta que seu ser populista procura pontuar o correta e o necessário a ser realizado. E sob os versos do poema Canção óbvia, de 1971, Paulo Freire consagra a vida:
Canção óbvia
Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens.
Zaquie Jamal - Psicopedagoga, Mestre em Psicologia da Educação pela PUC/SP