COLUNA MUSICALIZANDO

 Por Leila Sugahara

 

 

POR QUE MUSICALIZAR BEBÊS?


(texto publicado na Revista Cover Teclado ano2/no.10- coluna musicalizando – Ed. HMP e na apostila “Musicalização para crianças de 2 a 6 anos” – 1ª. Ed., 1998 – Sugahara, Leila Yuri).


            Dúvidas sobre o porquê da musicalização de bebês são uma constante. Como já descrevi anteriormente, os sons e o ritmo (ritmo é movimento) estão presentes na vida do ser humano antes mesmo do seu nascimento, através do corpo da mãe e de suas respectivas reações e interações. Mas é a partir do nascimento que se torna realmente importante estimular e educar as funções cerebrais. De acordo com Walter Howard, autor de "A música e a criança", educar significa despertar. E despertar nunca é um empreendimento precoce, sendo indispensável entregar-se a ela sistematicamente desde os primeiros anos de vida, a fim de que a criança, mais tarde, veja-a como uma tendência natural de seu ser. Howard realizou experiências com bebês onde os exercitavam movimentando-lhes as pernas, cantando ou falando ritmicamente, onde o objetivo era proporcionar alegria à criança. Ele variava os tempos e os timbres (pedindo à mãe, ao pai ou por assobios cantar uma mesma melodia), evitando assim, o perigo de adestrar a criança. Os exercícios com as pernas tiveram naturalmente por resultado, o aumento da destreza manual, e por conseguinte, crianças observadoras, rítmicas, falantes, mostrando todas as faculdades motoras e técnicas bem desenvolvidas.
            Jean Piaget, psicólogo suíço, descobriu que a capacidade cognitiva (aquisição de conhecimento) é uma evolução em estágios, dos comportamentos mais primitivos até o nível adulto do raciocínio lógico. O raciocínio é uma característica da inteligência. Portanto, inteligência é a capacidade de raciocinar, organizar e propor soluções para as questões que vão sendo apresentadas com graus de dificuldade cada vez maiores. O bebê, quando nasce, já dispõe de estruturas mentais (formas de pensar), que apesar de rudimentares só precisam ser estimuladas para se desenvolverem.


Como estimular o seu bebê
(Esquema de desenvolvimento mental segundo Dra. Miriam Stoppard)


     Recém-nascido
     1º dia: escuta e permanece alerta.
     3º dia: reage quando se fala com ele e dirige o olhar.
     9º dia: os olhos acompanham o som.
     14º dia: o bebê "reconhece"sua mãe.
     18º dia: produz sons e volta a cabeça na direção dos sons que escuta.
     24º dia: já possui um vocabulário de sons e a boca se torce ao ouvir a mãe.
     1º mês: abre e fecha a boca, numa imitação da fala e irá adaptar o comportamento ao som da sua voz. Aquieta-se quando você fala de forma a acalmá-lo e torna-se agitado se você usa tom ríspido ou fala alto demais.
     Converse e cante para ele, abrace-o e embale-o. Mostre as coisas perto do rosto para que ele enxergue. Fale em voz cantada e ritmada, entoe canções de ninar e ande com ele no colo, balançando-o devagar nos braços.

     3 a 4 meses: começa a entender o próprio corpo, move os olhos e os dedos de acordo com a vontade, reage às conversas com vários acenos, sorrisos, movimentos de boca, barulhos e gritinhos. Realiza movimentos corporais.

     Interprete canções infantis. Brinque com movimentos físicos: sacudidelas delicadas, flexões de joelho e de braço. Ofereça brinquedos de diferentes texturas, formas e tamanhos que produzam sons. Converse com ele.

     5 a 6 meses: aumenta a concentração. Volta a cabeça na direção dos sons e começa a agitar os braços e as pernas, faz ruídos e outras vocalizações com a finalidade de atrair a atenção. Brinque de jogos como "Achou! " e "Mindinho e seu vizinho".

     7 a 8 meses: o bebê começa a falar e vários sons reconhecíveis serão ouvidos. Começa a imitar coisas simples e antecipa repetições.
     Apresente jogos rítmicos com palminhas e movimente seus pezinhos e perninhas ao som de músicas cantadas.

     À partir de 8 meses: dê brinquedos que produzem sons e deixe brincar com colheres e copos de plástico. Conte histórias, leia para ele, cante, enfim, brinque bastante e demonstre alegria.

     Vale um lembrete: apenas um aspecto do roteiro se aplica a todas as crianças indistintamente. É a sequência das etapas de desenvolvimento. O ritmo e a facilidade de aquisição de uma habilidade são individuais e particulares de cada criança e, portanto, todos os prazos e idades fornecidos devem ser encarados apenas como referências para orientação. Podendo ser um pouco antes ou um pouco depois das idades descritas.
     O trabalho de musicalização para bebês em escolas de música, tem a sua importância no aspecto socializador, e por ser mais específico, falarei sobre isso em outra edição. Então: até a próxima!

 

MAS O QUE ACONTECE NAS AULAS DE MUSICALIZAÇÃO PARA BEBÊS, E POR QUE A PARTIR DE 8 MESES?        

  (baseado no trabalho de Josette Feres)

    É a partir de 8 meses aproximadamente, que a criança consegue sentar sem apoio, mantendo a cabeça firme, realizando com facilidade as atividades propostas nas aulas. As aulas geralmente são em grupo (para estimular a sociabilização). A criança aprende por observação, imitação e experimentações. É sempre acompanhada por um adulto responsável (mãe, pai, avó, tia), pelo menos até completar um ano e seis meses a dois anos, que participa da aula, junto com o bebê. O ambiente é sempre alegre, espontâneo e descontraído. A duração média é de 30 minutos. O grupo senta-se em círculo no chão, onde são realizadas as atividades. Trabalha-se nessa fase, principalmente a percepção sensorial e motora, a linguagem gestual, a construção do esquema corporal, a sociabilização, a movimentação natural ( andar, correr, saltar), a formação de repertório, a disciplina pessoal, a coordenação motora e posteriormente e consequentemente, a construção de conceitos de propriedades do som como forte e fraco, rápido e lento, timbres, noção de pulsação, grave e agudo.

    Como? Através da manipulação e exploração de objetos que produzam ruído, acompanhar uma música instrumental de boa qualidade, canções que estimulem a linguagem falada através de gestos, canções e danças que estimulem movimentos de marcha, saltos, palmas, brincadeiras de roda e audição de diferentes gêneros musicais(ritmos).

    Exemplo de uma aula:

    1. Cumprimento cantado: Bom dia, crianças, bom dia, ...(o nome do aluno), cantado com intervalo de 3a. menor ( sol-mi );
    2. Oferecer objetos que produzam ruído como tubos de filme, potes de yogurte, colheres, para livre exploração;
    3. Uma canção como "bate,bate o ferreiro" para desenvolver a noção de pulsação, onde os bebês acompanham a música livremente, com palmas ou com os objetos oferecidos na atividade anterior;
    4. Uma canção que estimule a movimentação corporal, como: "Serra serra serrador";
    5. Uma canção que estimule a linguagem oral: "Uma bola, la, la";
    6. Uma canção que estimule a linguagem gestual: "Cai, cai, balão";
    7. Marchas, cirandas e brincadeiras musicais: "Marcha soldado", "Ciranda, cirandinha";
    8. Música instrumental para ser acompanhada livremente por instrumentos de percussão;
    9. Relaxamento: canções de ninar;
    10. Canção de despedida.
    Além de recursos visuais como: cartazes e brinquedos ( bonecas de pano, bolas, cavalinhos de pau, bichos de pelúcia).

 

(texto publicado na Revista Cover Teclado ano2/no.10- coluna musicalizando – Ed. HMP e na apostila “Musicalização para crianças de 2 a 6 anos” – 1ª. Ed., 1998 – Sugahara, Leila Yuri).

Veja também Cursos

Para saber mais Cadastre-se 

Voltar

 
  Site Map