COLUNA MUSICALIZANDO 


 

        

        O QUE É MUSICALIZAÇÃO?

        Por Leila Sugahara

 

         

 

           Há alguns anos atrás, o termo musicalização era quase desconhecido, estando quase sempre associado apenas ao processo de iniciação musical de crianças. Hoje, o conceito tornou-se mais amplo, em relação aos seus objetivos e ao mesmo tempo, perdido em meio à diversidade de práticas e metodologias adotadas, muitas vezes desvinculadas de seus fins e objetivos, ou na ação descontextualizada do meio em que se esta prática encontra-se inserida.

           Em primeiro lugar, precisamos saber se o trabalho será realizado em uma escola de música ou em uma escola de ensino regular. Se as aulas são de um instrumento musical específico ou se serão aulas de musicalização. E ainda, se as aulas são individuais ou em grupo. Cada situação requer uma abordagem diferenciada e específica, mesmo que o objetivo maior em todos os casos seja a aprendizagem de música.         

 

           De acordo com SWANWICK (2003), “um dos objetivos do professor de música é trazer a consciência musical do último para o primeiro plano”, isto é, trazer à tona a percepção da música assim que ela é tocada, bem como a sua compreensão a partir da intencionalidade de quem a faz. Dessa maneira, afirma que: “o método específico de ensino não é tão importante quanto nossa percepção do que a música é ou do que ela faz”.

 

           GAINZA (1982) também confirma a importância de se ter clareza do que se pretende com a educação musical, afirmando que “o objetivo específico da educação musical é musicalizar, ou seja, tornar um indivíduo sensível e receptivo ao fenômeno sonoro, promovendo nele, ao mesmo tempo, respostas de índole musical”.

 

           A partir daí fica claro que a educação musical, a exemplo do que já vem ocorrendo há várias décadas, em várias áreas do conhecimento, passa por um amplo processo de transformações, privilegiando o educando, ao invés da disciplina musical.

           A contribuição trazida por pesquisadores do processo de desenvolvimento e aprendizagem humana permitiu uma mudança também na concepção do ensino de música. A educação musical, antes restrita ao aprendizado de um determinado instrumento musical ou ao canto, visando à formação do músico, passou a levar em consideração o potencial educativo da música para a formação integral da pessoa.

Muitas pessoas ainda acreditam que aprender música é privilégio daqueles que possuem alguma “aptidão” ou para os economicamente privilegiados. Demonstrando que ainda há muito que fazer para se desmistificar e democratizar o acesso à educação musical. O professor de música tem papel fundamental nesse processo. As escolas de música também precisam buscar novos modelos de gestão baseados na formação de currículos de música que atendam às novas necessidades. Portanto, precisamos saber como fazer o diagnóstico para determinar quais são essas necessidades e a partir daí, traçar os objetivos que nortearão a prática educativa musical da escola e dos professores.

          

           Algumas dicas para se fazer o diagnóstico em escolas de música:

 

·         Fazer o levantamento do perfil dos alunos e dos professores da sua escola de música

1.     Quem são esses alunos, de onde vem, o que conhecem sobre música, quais são suas preferências musicais, se possuem ou não instrumentos musicais próprios, quanto tempo dedicam aos estudos, etc.

2.     Quem são os professores, suas formações e suas concepções sobre educação;

 

·         Procurar saber com os professores e alunos, quais as dificuldades encontradas no cotidiano escolar;

·         Esclarecer se os cursos que a escola oferece possuem a estrutura curricular adequada e se atendem às necessidades dos alunos;

·         Fazer um levantamento da estrutura da escola, se possui instalações adequadas, instrumentos musicais em número e qualidade suficientes para atender a demanda da escola;

·         Verificar a adequação do espaço físico da escola e da disponibilidade de materiais pedagógicos e outros recursos, entre outras questões.

 

 

O ideal seria se as escolas de música adotassem o modelo de gestão democrática, a exemplo de algumas escolas de ensino regular, ou mesmo a sua estrutura, já que as aulas de musicalização infantil e das aulas em grupo, requerem um modelo mais participativo de educação, para que tenham uma boa qualidade de ensino musical, compreendendo o fazer musical como desenvolvimento de uma capacidade exclusivamente humana e que requer condições para a sua plena realização.

           Os professores de música também poderiam, antes de traçar as metas e objetivos das suas aulas, refletir sobre as necessidades de seus alunos, as dificuldades e principalmente, sobre que tipo de ser humano queremos formar, afinal, educar musicalmente é educar o ser humano como um todo.

           Feito o diagnóstico inicial que nos oferece um panorama da situação atual, partiremos para os objetivos e metas, tendo em vista o que pretendemos com a educação musical, para que ensinamos música e onde queremos chegar com o ensino de música. O ideal é que essa reflexão seja feita pelos professores em conjunto, e também nos âmbitos da coordenação pedagógica e do setor administrativo da escola, possibilitando uma visão mais abrangente da realidade da escola, do que é necessário ser mudado. Só então podemos prosseguir com o planejamento das ações necessárias para alcançarmos os objetivos determinados a partir do diagnóstico. É nesse momento que começaremos a pensar na escolha das estratégias de ensino, que envolvem a metodologia a ser utilizada e a definição do repertório a ser trabalhado, bem como das avaliações.

 

 

Referências Bibliográficas     

                      

SWANWICK, K. Ensinando música musicalmente.São Paulo: Moderna, 2003.

GAINZA, V.H. DE. Estudos de psicopedagogia musical. São Paulo: Summus, 1988.

 

(Artigo publicado na Revista Cenário Musical n.2/2005- Ed.HMP) 

 

 

 

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