Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla, na Califórnia, a 4 de fevereiro de 1987.
Formado em História e Psicologia, aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica, foi psicoterapeuta por mais de 30 anos.
No Brasil suas idéias tiveram difusão na década de 70, em confronto direto com as idéias Comportamentalistas (behaviorismo), que teve em Skinner um de seus principais representantes. Rogers é considerado um representante da corrente humanista, não diretiva, em educação. Rogers concebe o ser humano como fundamentalmente bom e curioso, que, porém, precisa de ajuda para poder evoluir.
O rogerianismo na educação, aparece como um movimento complexo que implica uma filosofia da educação, uma teoria da aprendizagem, uma prática baseada em pesquisas, uma tecnologia educacional e uma ação política. Ação política, no sentido de que, para desenvolver-se uma educação centrada na pessoa, é preciso que as estruturas da instituição escola mudem.
Carl Rogers é um dos precursores da teoria humanista. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno, que pressupõe a ampla liberdade de escolha.
Rogers prioriza o indivíduo enquanto pessoa, valorizando a auto- realização, seu crescimento pessoal. Do ponto de vista da educação valoriza o educando como um todo, considerando seus pensamentos e ações e não apenas seu intelecto.Nessa perspectiva, para Rogers a aprendizagem é um processo de aprimoramento do indivíduo e não apenas do conhecimento. Objetiva-se mais amplo é desenvolver os pensamentos, os sentimentos, as ações de forma integrada, á fim de que se possa fazer escolhas mais seguras.
Na ótica Rogeriana, não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo, e no processo ensino- aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados, uma vez que o aluno pensa, sente de forma integral.
Rogers parte do pressuposto de que o ser humano tem uma propensão para crescer em uma direção que engradeça a sua existência, garantindo a manutenção de si mesmo; portanto o ser humano tende à auto-realização. Sua abordagem implica que o ensino seja centrado no aluno como lócus prioritário no processo ensino aprendizagem. Considerando o atual paradigma da ciência,intitulado como pós-modernidade, que considera como foco central do cenário das pesquisas as humanidades, pode-se dizer que a teoria Rogerianacontribui nessa perspectiva de compreensão das humanidades.
O referencial teórico pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão da ser humano, levando em conta a ótica do outro, a sua perspectiva, o seu olhar, para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro, dos seus sentimentos, do eu olhar. Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes, que são: a empatia, a congruência e a consideração positiva incondicional.
A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior, captando suas forma peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo. A congruência significa ser transparente na relação, expondo seus sentimentos mais profundos, sem fachada.
A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas, desprazeirosas com uma condição de aconchego, que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória, favorecendo a relação que se intensifica, se solidifica, em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino- aprendizagem.
Assim, Rogers, com esse olhar para a dimensão afetiva, constituiu um referencialteórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas.
Da autora: Doutoranda em Educação: Psicologia da Educação/PUCSP